Controle total e absoluto de todo o país nas mãos dele. Após aprovação de novas leis totalitárias, pode-se dizer sem dúvidas que Xi Jinping é o dono da China e tem poder para fazer o que bem entender. Crédito: ATP

O presidente da China, Xi Jinping, começou 2021 dando mais um passo para consolidar seu poder personalista sobre o regime chinês, que ele lidera desde 2012. Uma série de emendas legais ampliaram, desde o dia 1º, o poder da Comissão Central Militar, o órgão que controla o Exército de Libertação Popular – as Forças Armadas chinesas.

Também presidida por Xi desde 2012, a comissão agora é soberana para decidir sobre a mobilização de recursos dentro e fora do país relativos à defesa nacional. Na prática, toda a doutrina militar agora está nas mãos do presidente, e há dispositivos específicos para criar a coordenação da indústria bélica com a de alta tecnologia chinesa, buscando o objetivo declarado de ser uma potência equivalente aos Estados Unidos em 2027.

Até aqui, decisões sobre a política militar eram compartilhadas com o Conselho de Estado, o órgão executivo máximo da China, liderado pelo premiê e seus ministros. Ele já respondia a Xi, secretário-geral do Partido Comunista (PCCh) desde 2012 e presidente desde 2013, mas agora perde voz na discussão. A comissão é um órgão militar, e Xi é o único civil nele. No país há um Ministério da Defesa, mas ele está subordinado a ela.

“A natureza política da China é muito diferente da de outros países. Não é uma surpresa que Pequim fortaleça a liderança da comissão no momento em que as Forças Armadas estão defendendo os interesses chineses pelo mundo”, afirmou Deng Yuwen, analista militar ouvido pelo jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

Com efeito, desde 2017 a China tem enfrentado uma oposição crescente dos Estados Unidos em praticamente todas as áreas de competição, como a tecnologia 5G ou a liberdade política dos habitantes de Hong Kong. No campo militar, a retórica de ambos os lados ficou mais dura, criando o clima da Guerra Fria 2.0 preconizada pelo presidente Donald Trump.

Os países passaram a fazer exercícios provocativos nas regiões disputadas do estreito de Taiwan e no mar do Sul da China, levando a especulações sobre o risco de uma guerra acidental. Os chineses enfrentaram diretamente os indianos, aliados dos EUA, em conflito pontual em meados de 2020, e os norte-americanos aceleraram a integração com países da região numa aliança anti-Pequim.

Em dezembro, o Pentágono divulgou documento afirmando que sua Marinha teria de ser mais assertiva contra China e Rússia, inclusive sob risco de incidentes no mar, mas separou os países: Moscou é uma ameaça militar, mas Pequim é uma desafiante estratégica completa.

Com a mudança, Xi institucionaliza ainda mais sua posição como líder supremo do regime chinês, criado em 1949, enterrando o princípio de “liderança coletiva” – nunca existente além da própria cúpula do PCCh – que antecedeu sua chegada ao poder.

Fonte: Jornal do Comércio

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