Zhang Zhan viajou para Wuhan em fevereiro e transmitiu suas experiências ao vivo nas redes sociais, além de escrever textos em que criticava a resposta do governo de Xi Jinping e o Partido Comunista Chinês (PCCh). Crédito: Allen J. Schaben/Los Angeles Times

Uma jornalista detida na China por informar sobre Wuhan, lugar onde apareceu a Covid-19 (o marco Zero), será julgada no fim deste mês, disse seu advogado nesta sexta-feira (18/12), enquanto crescem as preocupações com sua saúde.

O coronavírus surgiu pela primeira vez no centro da China no final do ano passado e Pequim foi acusada de ocultar o surto inicial e silenciar os primeiros informantes.

Zhang Zhan, ex-advogada de 37 anos, viajou para Wuhan em fevereiro e transmitiu suas experiências ao vivo nas redes sociais. Também escreveu textos em que criticava a resposta do governo, incluindo o confinamento rigoroso de milhões de pessoas.

Zhang foi presa em maio e acusada de “incitar brigas e causar problemas”, segundo um aviso judicial consultado pela AFP, uma acusação geralmente utilizada para reprimir os dissidentes, com pena de prisão até cinco anos.

Os advogados de Zhang receberam um aviso no início desta semana de que a audiência será realizada em um tribunal de Xangai em 28 de dezembro. Um deles, Zhang Keke, escreveu uma nota que circulou nas redes sociais, sobre a saúde extremamente debilitada da cliente. Ela sofre de dores de cabeça, tonturas e dores de estômago.

“Presa 24 horas por dia, precisa de ajuda até para ir ao banheiro”, escreveu Keke. “Ela se sente psicologicamente exausta, como se todo dia fosse um tormento … ela disse que seu estado físico atual é muito difícil de suportar”.

Zhang criticou a resposta inicial de Wuhan, escrevendo em um ensaio de fevereiro que o governo “não deu às pessoas informações suficientes, então simplesmente bloqueou a cidade”.

“Esta é uma grande violação dos direitos humanos”, escreveu ela. Zhang é a primeira a enfrentar o julgamento de quatro jornalistas cidadãos detidos pelas autoridades no início deste ano, após reportagens de Wuhan.

Tentativas anteriores da AFP de contatar os outros três – Chen Qiushi, Fang Bin e Li Zehua – não tiveram sucesso.

Fonte: France-Presse/Correio Braziliense/AFP/The Times of India

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