Tentar explicar para um militante de esquerda é uma tarefa completamente inútil e contraproducente. Crédito: Sérgio Alves de Oliveira/Gazeta do Povo

Se você já discutiu com um militante de esquerda na vida real ou nas redes sociais, possivelmente foi chamado de fascista ou de extrema-direita (ou ambos), talvez em mais de uma ocasião. Provavelmente, você não é nenhum dos dois, mas já deve ter percebido que de pouco importa ou adianta tentar se explicar para os militantes. Eles não estão muito interessados em saber exatamente o que você defende ou no que acredita. Se você não é um deles e não defende exatamente tudo aquilo que eles defendem, então você é um “fascista de extrema-direita” e ponto final. Está dado o veredito. Eles estão certos e você está errado. Não adianta prolongar a discussão.

É relativamente fácil entender porque isso acontece. A esquerda política tem um caráter totalitário bastante evidente. Sua visão de mundo intrinsecamente despótica, irracional e intolerante faz a esquerda agrupar diversos indivíduos de grupos distintos e variados – que possuem enormes divergências e discordâncias entre si – em um mesmo rótulo, totalmente genérico, superficial e completamente destituído de coesão, consistência e veracidade.

Para a esquerda, portanto, não importa nenhum pouco se você é um liberal clássico, um conservador burkeano, um libertário purista, um anarcoprimitivista, um anarco-capitalista brutalista ou simplesmente um livre pensador que não está afiliado a uma escola filosófica específica; se você não é de esquerda, você deve ser tratado como um fascista intolerante, um inimigo da humanidade, um ser humano cruel e impiedoso, destituído de valores e virtudes, que quer matar os pobres, os deficientes físicos, os idosos, as mulheres, os homossexuais, os negros, os imigrantes e assim por diante. Se você ousa defender abertamente uma pauta como o armamento civil – ou seja, o direito inalienável das pessoas de se defenderem de agressões -, então você é um genocida implacável, a escória da humanidade.

Provavelmente, você também já foi chamado de racista, machista, homofóbico e sexista, entre outros epítetos que a esquerda política rotineiramente aplica para classificar todas as pessoas de quem ela não gosta. O comportamento radical nocivo, totalitário e intolerante da esquerda é bem expressivo, e atualmente – especialmente nas redes sociais – a militância faz acusações aleatórias a todas as pessoas cujo “crime” é discordar das pautas autoritárias e tirânicas da esquerda política.

Esse comportamento radical e intolerante mostra enfaticamente que a esquerda não está nenhum pouco interessada em dialogar com as pessoas, muito menos em tentar compreender como pensa o outro lado, e averiguar porque existem tantas pessoas que discordam dela e das pautas defendidas por ela. De maneira que fica fácil constatar que a prioridade da esquerda é simplesmente impor sua doutrina política e suas pautas ideológicas sobre a sociedade – à revelia desta – e classificar de forma tão degradante quanto desonesta todos os indivíduos que ela considera seus inimigos.

A crise política que teve por estopim a derrocada do PT fez inúmeras ideologias, doutrinas e filosofias políticas ganharem espaço no Brasil. Em sua maioria, quase todas elas despontaram como alternativas mais realistas e salutares às ideologias vigentes aprovadas pelo status quo. Todas elas já existiam e estavam se difundindo há muito tempo, mas a crise política ajudou muitas pessoas a ir além da simplória dicotomia esquerda e direita, fazendo-as perceber que existem muito mais alternativas e possibilidades a serem discutidas e estudadas, além daquelas que são chanceladas em caráter oficial pela democracia e pelos grupos de interesse que dominam o establishment.

É verdade que entre os grupos que ganharam espaço, estão até mesmo os fascistas clássicos – alguns chegaram a ressuscitar o integralismo, movimento originalmente fundado por Plínio Salgado, que por ser atualmente um ajuntamento de adolescentes que nem sequer trabalham e ainda moram com os pais, simplesmente não consegue ser levado a sério -, mas quando ataca o “fascismo”, não é contra estes indivíduos que a esquerda dirige o seu ódio hostil e irracional. É contra as pessoas comuns, que cometem o “crime” de questionar a esquerda e pensar diferente da militância.

Se você, portanto, tem uma linha de pensamento que diverge da seita progressista – seja você um liberal minarquista, um conservador tradicionalista, um monarquista católico, um anarquista proudhoniano ou um libertário anarcocapitalista -, muito provavelmente você será, se é que já não foi, alvo dos impropérios da militância. Não tenho dúvida nenhuma de que você já deve ter sido chamado de fascista, não em uma, mas possivelmente em diversas ocasiões.

Da mesma maneira, você já deve ter percebido que tentar se explicar para um militante de esquerda é uma tarefa completamente inútil e contraproducente. Se você falar que é libertário, e que se opõe ao estado pelo fato deste praticar agressão contra pessoas pacíficas, o militante vai “refutar” você alegando que o estado pode tudo, porque o estado – do ponto de vista dele – é uma autoridade legítima. Para o militante, qualquer coisa que o estado faça, contanto que alinhado às pautas ideológicas progressistas, será legítimo. Por considerar a própria existência do estado como algo intrinsecamente bom, fundamental e necessário, para o militante de esquerda, não há nada que o estado não possa ou não deva fazer. Para ele, não devem existir limitações ou restrições para a atuação do estado.

Como a esquerda não obedece a conceitos éticos ou princípios morais, ela não se opõe nem jamais irá se opor a violência ou agressão por parte do estado contra pessoas inocentes. Muito pelo contrário. Praticamente todas as políticas de esquerda estão alicerçadas nisso. Para a esquerda, os fins justificam os meios. Portanto, agredir e usar de violência contra todos aqueles que não estão politicamente alinhados à sua doutrina sempre será algo justificável para a esquerda, principalmente na sua cruzada ideológica contra o fascismo imaginário.

Se você ousar falar que é contra a existência de um estado, sem dúvida o militante ficará terrivelmente encolerizado. Afinal, como ousa você ser contra essa instituição tão caridosa, benevolente, altruísta e magnânima, que espalha tanto amor e benevolência na sociedade? De pouco adiantará você tentar explicar para o militante que o estado – além de ser ilegítimo – prejudica ainda mais os pobres, e que a própria existência da pobreza é não apenas agravada, como amplamente potencializada pelo estado. O estado não agrega, apenas retira. O estado não tem como gerar riquezas, ele apenas torna a sociedade mais pobre.

Com muita paciência, você pode explicar de forma lúcida e coesa todos os elementos relacionados ao intervencionismo estatal que são os verdadeiros responsáveis por gerar miséria e pobreza na sociedade. Completamente imune à lógica e a racionalidade, no entanto, o militante irá ignorar todos os seus argumentos. Ele simplesmente vai proferir um monte de platitudes genéricas irracionais que são lugares comuns da doutrina progressista, para “refutar” as suas explicações. E então ele vai encerrar o debate unilateralmente, tendo a plena certeza de que ele foi vitorioso.

Uma discussão dessa natureza rapidamente nos permite constatar que na prática, os pobres em si não tem valor algum para a esquerda; eles são úteis apenas para justificar determinadas pautas da seita progressista – basicamente, qualquer tipo de intervencionismo, como a “necessidade” de cotas e assistencialismo -, que tem no epicentro da sua doutrina uma defesa incondicional e intransigente do estado.

Essa apologia inflexível é consequência da visão romantizada que os militantes progressistas tem do estado. Pelo fato de que superestimam as capacidades, a eficiência, os recursos e o interesse do estado em ajudar, os militantes realmente acreditam que o estado está interessado em auxiliar os pobres, e que os pobres ficariam desamparados sem esse auxílio. Muitos progressistas não são necessariamente mal-intencionados, apenas são incapazes de compreender o que o estado é e como ele realmente funciona.

Infelizmente, militantes, em sua maioria, não estão nenhum pouco interessados em tentar compreender como funciona a realidade prática e quais são as verdadeiras implicações do estado na vida das pessoas, e acima de tudo, na vida dos mais pobres e das minorias que a esquerda política afirma amar e proteger. Sua pretensão é defender com mordacidade a imposição do estado como o soberano máximo e absoluto de toda a sociedade, cujo poder supremo ninguém pode se atrever a contestar.

O militante de esquerda é alguém que renunciou completamente a toda a lógica e racionalidade. Para ele, a realidade prática não tem importância alguma. Não importa nenhum pouco que a utopia que ele defende causou desastres, tragédias e fatalidades inenarráveis onde foi implantada; para o militante, o que realmente importa é que sua ideologia seja institucionalizada como uma política oficial de estado.

Para a esquerda, portanto, não importa nenhum pouco no que as pessoas acreditam. Todos que não são de esquerda não apenas são como podem ser genericamente classificados como “fascistas”, pois – se não defendem pautas progressistas -, são deploráveis e maléficos inimigos da humanidade. É exatamente assim que eles pensam.

Por seu comportamento intrinsecamente totalitário, é natural que a militância aja de forma completamente intolerante, nenhum pouco disposta a ouvir ou dialogar com pessoas que pensam de forma diferente. O seu negócio é impor suas pautas de forma autoritária sobre toda a sociedade, mesmo que as pessoas não queiram. Para a esquerda, os fins justificam os meios; portanto, a esquerda não vê problema algum em empregar a violência – ou terceirizá-la através do estado – sempre que necessário para conquistar ou atingir os seus sórdidos objetivos.

A esquerda na verdade acusa as outras pessoas de praticarem aquilo que ela própria faz. O psiquiatra americano Lyle Rossiter já declarou em seus trabalhos que classifica o esquerdismo como um transtorno psiquiátrico, e explica perfeitamente como isso afeta o comportamento das pessoas que sofrem com a patologia, e porque um militante pensa da forma como pensa, e vê o mundo da forma como vê.

Um dos sintomas mais proeminentes do esquerdismo é, de fato, o totalitarismo ideológico. Para o militante, a sua visão de mundo é absoluta. Ela não deve ser discutida porque é perfeita, e sua aplicação irá deflagrar um mundo perfeito, ou algo próximo disso. Isso acontece porque o militante tem a certeza absoluta de que ele está certo em tudo, e todas as pessoas que não pensam como ele estão erradas. Essa certeza – que parte de uma percepção mental distorcida, saturada de deficiências intelectuais – consequentemente faz o militante se tornar completamente obtuso para as ingerências e complexidades da realidade, de maneira que ele passa a ver o mundo por uma perspectiva excessivamente simplória e reducionista. Por essa razão, tudo passa a ser classificado pela dualidade do bem e do mal.

Portanto, se ele é do bem e está certo, então todas as pessoas que não pensam como ele são do mal, e estão erradas. Por essa razão – do ponto de vista do militante -, é totalmente justificável agir com violência agressiva contra os seus opositores, ou incitar o estado a fazer isso, pois assim ele estará “lutando contra o mal”, e contribuindo para eliminá-lo da sociedade.

O mundo é um lugar complexo demais para ser reduzido a fórmulas políticas simplórias e universitárias. Infelizmente, sua patologia mental impede o militante de enxergar a realidade como ela de fato se apresenta. Ele também fica impossibilitado de raciocinar com clareza e lucidez, de maneira que não consegue entender que é totalmente impossível produzir o bem praticando o mal. Não há como algo bom, positivo e salutar resultar de ações iníquas, destrutivas e contraproducentes.

Todas as atrocidades que aconteceram no decorrer da história humana foram executadas com a melhor das intenções. Intenções muito similares – ou até mesmo exatamente iguais – as que são cultivadas pela militância. Todas as chacinas, fuzilamentos, carnificinas e campanhas de genocídio que aconteceram no século XX, e que ocorreram majoritariamente em regimes socialistas, tinham por objetivo construir uma sociedade perfeita, que produziria a tão esperada utopia igualitária de amor e generosidade infinitas. Tudo o que estes deploráveis projetos políticos conseguiram, no entanto, foi produzir níveis inenarráveis de horror e sofrimento, bem como centenas de milhões de mortos.

Infelizmente, o militante é imediatista e ignorante demais para perceber os seus equívocos. Ele não se importa nenhum pouco com a realidade prática, e não é prudente nem humilde o suficiente para estudar e aprender com a história. A grande motivação do militante é continuar ativo no combate ao fascismo imaginário, e – em função de suas capacidades cognitivas bastante limitadas -, ele está plenamente convicto de que isto resultará em um mundo melhor.

Suas deficiências intelectuais acabam comprometendo sua capacidade mental de fazer uma leitura congruente da realidade, e de compreender como ela efetivamente funciona. A realidade é complexa demais para ser compreendida através de coloridas e sedutoras fórmulas mágicas, que prometem soluções milagrosas, rápidas e eficientes para todos os problemas existentes. O militante, no entanto, acredita em qualquer fantasia ou delírio infantil defendido pelo líder do diretório acadêmico ou da agremiação estudantil que ele frequenta.

Antes de qualquer ação coletiva, a militância geralmente escuta um discurso mundano qualquer, que a deixa motivada a agir. Para qualquer palestra ficar bonita ou parecer descolada, basta acrescentar em qualquer frase palavras como “igualdade” e “justiça social”, ou falar que a ação é “em nome do povo”. Então tudo parecerá justo, correto e justificável. Para convencer o militante a fazer ou acreditar em qualquer coisa, argumentos coesos, consistentes e convincentes nunca são necessários. Basta apelar para o sentimentalismo ou para a ideologia. Em poucas palavras, podemos dizer que – embora não seja educado ou polido falar assim tão diretamente – um indivíduo só é capaz de ser um militante de esquerda se ele for excepcionalmente burro e radicalmente desprovido de inteligência.

Crédito: Medium

Assim sendo, podemos concluir que todo militante é uma combinação explosiva de falta de inteligência, reduzidas capacidades cognitivas, gratificação pessoal imediata, egoísmo e egocentrismo patológicos, e colossal ignorância sobre diversas disciplinas, especialmente história e economia. Isso o torna uma presa fácil para predadores políticos populistas astutos e dissimulados, que saberão utilizar a irracional cólera juvenil da militância a favor do seu projeto de poder. E esses oportunistas farão isso com grande facilidade. Basta falar mal do capitalismo e prometer um monte de coisas gratuitas. A militância morderá a isca rapidamente, e se subjugará docilmente ao político que falar tudo aquilo que ela deseja ouvir.

E qual é a contribuição da militância para a humanidade? Em qualquer lugar do mundo, absolutamente nenhuma, além de destruir, depredar, destroçar, queimar e pilhar.

Estamos vendo isso acontecer no Chile desde o ano passado, com manifestações recorrentes, cada vez mais destrutivas e truculentas, onde a militância sai depredando e destruindo praticamente tudo o que aparece em seu caminho. Por onde passam, deixam um deplorável e nefasto rastro de destruição.

Mas os fascistas, é claro, somos nós.

Fonte: Wagner Hertzog/Instituto Rothbard

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