Zarif faz um “tour” pela América Latina e aproveita para “reforçar laços” com países socialistas da região. Na mídia especializada, correm suspeitas de que o Irã já tenha armado a Venezuela com mísseis balísticos. Crédito: AFP/Getty Images

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif chegou à Venezuela no início de uma viagem pela América Latina que também o levará à Bolívia e Cuba. Ele foi recebido pelo seu homólogo chavista, Jorge Arreaza.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã fará uso da ocasião para propiciar a Teerã embarcar em uma ofensiva diplomática a fim de fortalecer sua posição de influência junto a seus aliados latino-americanos.

“Cada visita de alto nível aprofunda nossa aliança estratégica, nossa irmandade”, tuitou o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, em 04 de novembro, após dar as boas-vindas ao seu homólogo iraniano ao chegar ao país sul-americano. “A Venezuela e o Irã mostraram solidariedade e coragem diante das agressões”, acrescentou Arreaza, em uma aparente referência às sanções dos EUA contra os dois países.

Os lados vão discutir formas de “aprofundar as relações estratégicas de cooperação bilateral” durante a visita de Zarif, segundo a agência de notícias venezuelana AVN.

Nos últimos meses, o Irã tem sido o principal apoiador econômico da ditadura socialista de Nicolás Maduro, cujo governo acabou desperdiçando a infraestrutura da estatal petrolífera que durante décadas foi a principal fonte de receita da Venezuela.

Os iranianos também tentaram, sem sucesso, reanimar as operações da Petróleos de Venezuela (PDVSA), com resultados decepcionantes. A mais recente explosão nas instalações da refinaria de Amuay da PDVSA é o exemplo mais recente do fracasso dessa cooperação técnica.

Também chegaram gasolina e comida do Irã à Venezuela. O regime de Maduro pagou pela assistência iraniana com as reservas de ouro do país. Mas também se suspeita que foi pago com reservas de outros minerais, usados ​​na fabricação de armas.

Relações antigas. O “dono” da Venezuela, Nicolas Maduro (D) e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, reunidos em Caracas, 27 de agosto de 2016. Crédito: Juan Barreto/AFP/Getty Images

O Subsecretário de Estado para Assuntos Hemisféricos dos EUA, Michal Kozak, alertou no Twitter sobre os perigos das relações entre os regimes venezuelano e iraniano.

“Que dia intenso para o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Zarif e Jorge Arreaza– Ocupados comparando as melhores práticas para reprimir seus cidadãos? Como roubar e desperdiçar os recursos de seu povo? Ou foi mais para espalhar o terrorismo pelo mundo?”, escreveu ironicamente Michael G. Kozak, em 4 de novembro.

Relatórios de inteligência recentes detalham a possibilidade de que a Venezuela seja um país receptor de mísseis balísticos desenvolvidos pelo Irã. As denúncias a esse respeito, feitas pelo Presidente colombiano Iván Duque, foram praticamente corroboradas pelo próprio Maduro.

O ditador venezuelano se referiu nas últimas semanas ao desenvolvimento de um moderno sistema de armas em cuja implementação o Irã participará. Ele até disse que comprar mísseis iranianos seria “uma boa ideia”.

Além disso, relatórios detalhados foram levantados sobre como o grupo terrorista libanês Hezbollah, que é controlado e financiado pelo Irã, mantém extensas operações na Venezuela que lhe fornecem renda. Essas operações também incluem o tráfico de cocaína.

Os dois países também mantêm uma troca secreta por meio de uma ponte aérea apoiada por companhias aéreas controladas pelos regimes de Caracas e Teerã.

O diplomata persa agora também tem mais um novo parceiro na América do Sul, o presidente eleito da Bolívia, Luis Arce. Na Bolívia, ele participará da cerimônia de posse de Arce – junto com Maduro e o presidente da Argentina Alberto Fernández -, e depois viajará a Cuba.

Zarif expressou a disposição do Irã em restaurar os laços bilaterais com a Bolívia em um nível perfeito, esperando que ambas as nações melhorem as relações de acordo com os interesses mútuos.

Em uma reunião com o enviado do Irã à La Paz no sábado, Arce disse que pressionaria pela expansão das relações entre a Bolívia e o Irã depois de formar seu governo. E destacando a amizade entre as duas nações, ele expressou sua vontade de que o Irã continue apoiando a Bolívia nas áreas técnica, científica e industrial.

Luis Arce também afirmou “a sólida posição de seu país no apoio à causa palestina em todos os fóruns internacionais e locais”, segundo a agência de notícias palestina Wafa.

Fonte: Thaís Garcia/Conexão Política

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