Crédito: Michael Tsang/Asia Nikkei

O site Axios publicou que, em 2018, um alto funcionário do governo alemão omitiu um relatório de inteligência que descrevia em detalhes a crescente influência chinesa no país, sob a justificativa de que o documento prejudicaria as relações comerciais com a China. A chanceler alemã Angela Merkel chegou a receber o documento que foi impedido de ser distribuído na cúpula do governo. Parece até que o conselheiro da Merkel fez um estágio em Brasília.

A inteligência alemã identificou que os chineses estavam trabalhando pesado para influenciar agentes governamentais, formadores de opinião e as entidades empresariais para convencê-los de colocar em primeiro planos os interesse comerciais em detrimento das questões relacionadas aos direitos humanos e, principalmente, a segurança nacional.

O governo alemão se recusou a comentar a reportagem do Axios. Um ex-embaixador alemão na China, Volker Stanzel, resumiu o dilema alemão, que também é o brasileiro. Em entrevista à Axios, ele disse que “a Alemanha depende das exportações em alto grau, e isso dá aos negócios uma grande influência. Representantes empresariais conversam com o governo e estão acostumados a serem ouvidos”.

Ou seja: com medo de perder seus negócios, representantes do setor produtivo dão eco às chantagens chinesas e passam a fazer pressão em nome do regime para que seus governos não incomodem Pequim. O uso que a China faz do comércio, como arma de pressão, não é exclusivo na Alemanha ou Brasil.

O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, é um dos protagonistas desse novo modelo de diplomacia imposta por Pequim. Antes de desembarcar em Brasília, Yang foi o titular da representação chinesa em Buenos Aires. Sob o seu comando, a China concedeu uma série de empréstimos e realizou uma variedade de convênios com os argentinos.

Quando Mauricio Macri assumiu a presidência no final de 2015, seu governo tentou rever termos de um acordo assinado por sua antecessora Cristina Kirchner que cedeu uma porção do território argentino para construção de uma base chinesa de recepção de sinais de satélites. Macri não aceitava o fato de seus técnicos serem vetados na unidade.

Yang Wanming valeu-se do poder dos empréstimos para negar ao presidente Mauricio Macri o acesso à base. O chinês relembrou aos argentinos que a revisão do contrato implicaria na abertura para mudanças em todos os outros pendentes. Após a eclosão da crise da Covid-19, a China passou a responder as críticas relacionadas ao seu desempenho na origem da pandemia com o mesmo método. Suspensão de importações. Os australianos, britânicos, suecos, e mais recentemente os alemães, que apesar da falha de 2018, decidiram aprimorar as leis de segurança em tecnologia e informação que podem barrar os equipamentos da Huawei nas redes 5G no país.

Saiba mais sobre a base chinesa no coração da Argentina.

Fonte: Leonardo Coutinho/Paralelo 39

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